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A CRIANÇA DIANTE DO SENTIDO DA VIDA E DA MORTE A morte deveria ser assim: Desde o nascimento, a criança está implicada na difícil tarefa de descobrir e conhecer o mundo em que vive. Os primeiros anos são marcados por grandes aprendizagens: andar, falar, ler e escrever, conhecer as pessoas e aprender a amar. Aos poucos, ela vai se familiarizando com o mundo por meio das pessoas que estão à sua volta e que lhe traduzem todos os sentimentos humanos. A criança vai adquirindo confiança na vida e nas pessoas à medida que as conhece e com elas se relaciona. UMA SITUAÇÃO DE PERDA NA INFÂNCIA Contudo, quando uma criança vive uma situação de morte de alguém muito amado – pai, mãe, irmão, avós –, dependendo de sua idade, todo o seu sistema de crença no mundo e sua segurança de que este é um lugar bom para se viver, pode ficar enfraquecido. A experiência de perda faz com que seu universo, ainda em construção, fique remexido e sua confiança em novas relações fique extremamente abalada. Tudo parece virar de ponta-cabeça e a vida passa a ser percebida como um inimigo perigoso. É muito comum, nesses momentos, que a criança apresente expressões de descrença e de raiva contra tudo e contra todos, e que os adultos – seus “heróis” – lhes pareça frágeis, pois eles não podem reverter a situação de ausência da pessoa amada. Por isso, os adultos que acompanham uma criança enlutada devem saber que ela precisa do máximo de estabilidade possível. É bom evitar, quando possível, mudanças bruscas – de escola, de casa, de empregada, de cidade, dentre outras. É necessário e importante que a criança retome sua rotina, o mais rápido possível: seus compromissos escolares, suas brincadeiras com amigos etc. Além da segurança estabelecida pela rotina, a idéia de que o mundo é bom, de que o amor é seguro e de que as pessoas vão e voltam, é muito importante para o desenvolvimento da criança. Contudo, os adultos não podem impedir que uma situação de perda aconteça, ainda na infância, abalando, temporariamente, a segurança até então construída. As crianças, cada uma à sua maneira e de acordo com sua idade, percebem a perda, sofrem e passam pelo processo de luto. Mas, como elas ainda não ampliaram sua compreensão do mundo, acabam criando “explicações próprias” sobre a morte e a vida, numa tentativa de dar sentido aos acontecimentos e sentimentos desencadeados pela perda de alguém amado. ALGUMAS FANTASIAS DA CRIANÇA DIANTE DA MORTE Ele morreu porque briguei com ele As pessoas continuam tristes: acho que não sou suficiente para fazê-las felizes |