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A VIDA PARA QUEM FICA “A vida não tece apenas uma teia de perdas, mas nos proporciona uma sucessão de ganhos”. O ser humano é parte de um enigmático e misterioso ciclo vital no qual, ao mesmo tempo em que tem liberdade de ação, se vê submetido a regras que são alheias a sua vontade. O fato de sabermos que a morte faz parte da vida e que, em algum ponto da existência, iremos viver a perda de alguém que amamos não nos conforta nem nos prepara para essa experiência tão dolorosa. E quando a morte entra em nossa casa – muitas vezes sem se anunciar – sentimos-nos na mais completa escuridão, desprotegidos, inseguros, em intenso estado de desespero e fragilidade. Nessas situações, muitas vezes acreditamos que não há mais possibilidade alguma ou desejo de continuar vivendo. Não fomos educados para perder. Ninguém quer perder coisa alguma, por mais simples que ela seja, muito menos perder pessoas que ama. Essa vivência é arrebatadora, sem qualquer lógica que a razão possa explicar. A sensação é de um “vazio”, de uma “falta” que exigirá de cada um revirar o seu mundo interno e particular de sentimentos – muitas vezes lacrados ou até desconhecidos –, para buscar ferramentas que o ajudem a enfrentar essa dor que parece não estancar. Esse difícil trabalho de reorganização interna é o que chamamos de processo de luto. É sabido que esse processo é uma batalha travada pela pessoa que fica, e que deve continuar vivendo. É um processo pessoal, com manifestações muito particulares. Entendendo as manifestações desse processo
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