Antônio Carlos Fontana Filho

 
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Antonio foi um pai de família e um trabalhador assíduo. Em todos os anos de atividade nunca sequer faltou por motivo de doença. Trabalhou de sol a sol, sábados, domingos e feriados. Sua preocupação era impedir que suas filhas passassem pelas mesmas privações da sua infância. Orgulhava-se de ter conseguido não só isso, mas também o sonho de viver em sua própria casa, duas na verdade: um apartamento em Guarulhos e outro em Solemar, na Praia Grande.

Por certo nada disso veio de graça. Perdera a mãe, Maria, com apenas oito anos de idade. A vida do pai, Antônio, complicou-se com os quatro filhos pequenos. Precisaram todos se virar para ter o que comer naqueles tempos difíceis. Mas quando a família mudou-se para uma viela no bairro Picanço teve um vislumbre do lado sublime da existência. Ali também morava Rita, futura esposa e companheira por quase 45 anos, toda uma vida.

Casaram-se jovens, ele com 18 e ela com 16. Os bicos ficaram para trás quando conseguiu um emprego com a prefeitura da cidade. Lá operava máquinas pesadas com o pai e com o irmão, José Benedito. Também atuou na funilaria, foi mecânico de máquinas e operador de retroescavadeira, fazendo terraplanagem. Terminou trabalhando em outros serviços públicos de Guarulhos como a antiga SAAE, a companhia de águas, e o Proguaru.

Com Rita teve três filhas, nascidas com pouco intervalo uma da outra. A esposa ficou em casa no início, cuidando das crianças, e depois empregou-se na creche da fábrica da Fundação para o Remédio Popular (Furp) e com a mesma atividade na Pfeizer.

Antônio foi um sujeito fechado, de pouca conversa. Se tinha uma roda familiar, era comum que estivesse de passagem, indo fazer outra coisa sozinho. Mudava apenas quando abusava da bebida, aí se soltava. Por quatro décadas isso foi tornando-se um problema, interferindo nas relações com a família e com os amigos.

Havia uma distância afetiva das filhas, por conta da intensa rotina do trabalho e das idas e vindas aos bares onde se encontrava com amigos. Isso diminuiu com a chegada aposentadoria. Aproximando-se mais conseguiu recuperar parte do tempo perdido e também curtir seus cinco netos e um bisneto. Alegrava-se com eles nas idas a Mongaguá, onde alugaram uma casa durante 10 anos. Foi feliz em meio à família ali, participando da vida das filhas e da infância dos pequenos.

O gosto pelo mar tornou-se um apartamento em Solemar, na Praia Grande, para onde rumava de vez em quando com Rita. A compra daquele imóvel foi um sonho realizado, seu lugar favorito, um canto alegre onde esquecia da vida pescando. Conheceu essa vida tranquila antes de ser levado ainda jovem pela cirrose. Uma trajetória difícil, mas com espaço de sobra para o amor e para a felicidade.

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