Dinorah Oliveira Castello

 
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A pequena Dinorah corria muito ao perceber a famigerada “carrocinha” se aproximando do seu bairro. Não suportava a ideia de ver os cachorros de rua recolhidos e, sem cerimônia, abria os portões dos vizinhos para salvar os animais da morte certa. Era literalmente incapaz de matar uma formiga, e esse impulso bondoso e cuidador tão precoce não lhe abandonou mais.

As dificuldades financeiras daqueles primeiros anos, em meio ao deslocamento constante da família por conta do trabalho de metalúrgico do pai, Manoel, ajudava a amenizar cuidando de crianças de conhecidos, com apenas 13 anos. Também acompanhava a mãe, Irma, nos serviços de diarista. Além de Dinorah, havia outros três filhos para alimentar.

Quando enfim estabeleceram-se definitivamente em São Paulo, a 150 quilômetros da sua Amparo natal, encontrou no trabalho em uma fábrica de chocolate mais do que estabilidade. A paquera com Antonio era um segredo bem guardado dos patrões, sob risco de demissão, mas eventualmente ele decidiu seguir a vocação de barbeiro a exemplo do avô. Assumiram então uma união que se estenderia por 56 anos. Viveu para o esposo e para os filhos, netos e bisnetos.

Foi uma relação bonita a deles pois não era uma companheira qualquer, atenta a pequenos mimos como esquentar o lado dele da cama antes que se deitasse. O legado de amor estendeu-se aos três filhos, Rita de Cassia, Carlos Alberto e Maria Aparecida. Com sua lições e ações aprenderam todos a importância do carinho, da bondade e do respeito. Depois do nascimento da primeira criança, dedicaria-se ao lar.

Conforme cresceram, foi se distraindo com a programação religiosa da TV e com o cuidado com seus animais. Amava o carinho e a companhia de gatos, de cachorros como Nicky, de quem perguntava até no hospital, e até de pássaros como Tidico, um coleirinha que ainda canta, apesar dos 19 anos de idade.

Durante a vida conquistou vizinhos, parentes e amigos, tocando até quem só teve contato por um dia. Até na UTI, nove anos após o falecimento do marido e lutando contra uma ascite e um tumor, cativou a equipe médica. Tirou fotos com médicos, enfermeiros, faxineiros… E no fatídico dia em que partiu, levada por uma trombose e cercada pela família, nem as enfermeiras seguraram o choro. Era visível a luz que carregava dentro de si.

Brilho esse que conquistou, entre tantos outros, o genro João Carlos, já chamado por ela de filho pela presença e cuidados contantes. O vazio deixado pela sua ida certamente não será superado tão cedo, mas a grande família que dela se despediu não poderia ser mais grata por tudo. Deixou os filhos Rita de Cassia, Carlos Alberto, Maria Aparecida, e Carlos Pereira, Cida Tata e Luzia, filhos do coração; os netos Joyce Cristina e o esposo Reinaldo, Antonio Carlos e a esposa Andreia, Delton Vitor e a esposa Vanessa, Elton Carlos, Claudia Camilla e o esposo Emerson, Dimerson Ricardo, Deise Aparecida, Sivaldo Júnior e Denise Angelica; os bisnetos Vitor Anthony e a bisneta do coração, Mariana, Ícaro e Mikaeli, Gabriel Vytor, Isabella Luiza, Théo Lucca, Bernardo, Guilherme Henrique e Guilherme; e o tataraneto, Gustavo.

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