Elcio Trielli de Lima

 
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Elcio passou a infância no centro de uma Guarulhos bucólica, interiorana como o Brasil de então. O lampião iluminava a casa, e sua mãe, Maria do Carmo, andava quilômetros para trazer água de poço para a família. A pobreza exigia improvisos, o papel de pão convertia-se em caderno na escola. Mas ele, criança travessa e feliz, preferia cabular aulas e passar o tempo no campinho do bairro, brincando com os três irmãos.

A situação eventualmente foi melhorando, e depois de alguns bicos entrou para o SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto). Acabaria se aposentando lá, após 25 anos e um período afastado. Já o amor foi menos previsível. Tomava cerveja tranquilamente em uma padaria quando a carioca Cátia surgiu para nunca mais ir embora. A parceria feliz de quase 26 anos lhes trouxe Bruno, Vanessa, Laís e Karina.

Viviam juntos, de viagens especiais às mais banais idas ao supermercado. E com carinho e saudade anos depois invocariam as memórias de idas a Cananéia, Juguey, em São Paulo; e Ilha Grande, no Rio de Janeiro. Rodaram pelo interior e também pelas praias. Curtiam desses passeios, nem que fosse só para almoçar e voltar no mesmo dia.

Recentemente a diversão era visitar a casa de praia do amigo João Carlos Testae, no litoral Paulista. O programão incluía piscina e churrascos com a família. Amava assar carnes com todos reunidos também em sua casa, ao som de um samba ou pagode. Derretia-se nesses encontros pelos netos Helena, Luiza e Miguel, todos nascidos na mesma época.

Elcio sonhou em comprar uma casa na praia e viver ainda mais momentos como esses com as pessoas que amou. Houve tempo, mas não o suficiente. Complicações de uma dengue hemorrágica decretaram um fim precoce à sua trajetória. Ele se foi cedo, e levou consigo todo o amor do mundo.

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