João Sumensari

 
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Os filhos de João e de Maria do Carmo cresceram em uma Guarulhos idílica, um ambiente não tão diferente da pequena Oscar Bressane, pequena cidade natal dos dois e onde casaram-se. Guerino, pai dele, decidira trazer a família inteira para a “cidade grande”, sem para isso abrir mão por completo da paz e do sossego do campo.

Lograra o feito de maneira espetacular: na área onde hoje espalha-se o maior aeroporto do país construiu com a ajuda de seis filhos uma casa para si e outras para cada um deles. Apenas uma não morou no local. Quatro já vieram casados, inclusive João, e logo a pequena vila pululava de crianças. Teve três com a esposa, criados com liberdade no mato e a companhia de muitos primos.

Para eles, João foi um pai enérgico, mas parceiro e amigo do diálogo. A personalidade italiana durona, impondo a autoridade com palavras fortes, mal escondia um coração do tamanho do mundo. Uma índole capaz de atos do mais puro amor e também paciente e pronta para apoiar quando necessário. Fez questão de que seus filhos buscassem educação ao máximo possível.

E tornou-se referência para eles de respeito, honestidade e principalmente de trabalho. E se foi exemplo, um espelho e mesmo um super-herói para os filhos, não foi acaso. O serviço na roça de Oscar Bressane deu lugar ao de metalúrgico após um curso de mecânica do Senai. Trabalhou em indústria de papel, em uma metalúrgica e aposentou-se em uma mecânica industrial. Maria do Carmo cuidava das crianças em casa.

Aposentado, achava difícil ficar parado. Fazia bicos com pequenos reparos, de eletricista a encanador. E preparava-se para eventualidades guardando motores desmontados e toda a sorte de peças. “Até palito de fósforo riscado ele guardava achando que ia usar em algum momento”, lembra divertido o filho Edson.

Com a chegada do aeroporto de Guarulhos a família espalhou-se pela cidade, mas permaneceu unida, visitando-se com frequencia. João tornou-se avô de duas meninas, próximo como um pai quando possível. Sentia apenas saudade do sossego do interior e chegou a sonhar em retornar, como fizeram alguns irmãos.

O desejo foi interrompido com o surgimento de um tumor reincidente na bixiga, seguido de complicações. João partiu, mas não antes de dar aos seus uma vida de liberdade e todo o amor de pai e de avô que foi capaz. Como ele sempre dizia: "Eu sou eu, e o jacaré é um bicho".

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