Valdemir Mendes dos Santos

 
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Valdemir queria mais da vida e conseguiria. Chegara a São Paulo com cerca de cinco anos, vindo de Jacobina, interior da Bahia, com os pais e as duas irmãs gêmeas. Seu pai, Manoel, era pedreiro, e sua mãe, Davina, costureira. Ele, um jovem louco por futebol como tantos, e habilidoso com a bola nos pés como poucos.

Chegou a seguir nesse caminho, jogando profissionalmente em times do interior, mas eventualmente percebeu que a melhor saída para si seria outra. Do futebol ficaram apenas o passatempo e o amor incontido pelo Corinthians. Já o estudo lhe trouxe a longa carreira como contador e a sequência de empregos em diversas empresas.

Trouxe também o sustento para a futura família. Porque conheceria Ana Maria por meio de uma amiga e se apaixonaria perdidamente. Teriam um menino e duas gêmeas, além de uma invejável vida a dois, com o amor compartilhado pela MPB, viagens, e jantares românticos em restaurantes às sextas-feiras. No acordo dos dois, ele trabalhava fora enquanto ela cuidava da casa e das crianças.

Sonhador e inteligente, não seria empregado por muito tempo. A emancipação e o casamento dos filhos fora a senha para também libertar-se. Montou seu próprio escritório de contabilidade, prestando serviço e assessoria para clientes e amigos que precisavam de algum auxílio na organização financeira.

Já do amor pelos cães em geral, e pela sua cadelinha Pitucha em particular, veio a inspiração para um negócio pouco relacionado à sua história até então. A pet shop que abriu fora também batizada Pitucha em homenagem à sua pequena companheira, que segue saudadosa do dono.

Ainda jovem, aos 69, quebrou o fêmur ao cair. Recuperava-se ainda da operação quando uma infecção comprometeu seus pulmões. Valdemir se foi, mas deixou para trás uma vida de conquistas.

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